No clássico da Disney, a “Gata Borralheira” vira uma princesa. Na telenovela ou na série de TV, a Betty feia se transforma em um belo e cobiçado Cisne. No filme, em um passe de mágica Penélope (EUA, 2008) acaba com a maldição que traz para sua aparência física o que ela é por dentro, ao ser amada por alguém de sua própria estirpe e por ela mesma. Tal como o poeta dizia, o mundo enfatiza que “beleza é fundamental” e a propaganda não deixa o discurso estético de fora. Contudo, vemos um movimento em que este argumento chega com certa sensibilidade e passa a nos comover. E isso é importante dentro de um contexto em que o empoderamento feminino é argumentado como um debate meramente feminista. Sim, no mundo moderno não basta ser mulher, é preciso ser compassiva, profissional, caseira e bonita. Contudo, os modelos e conceitos estéticos variam no mundo de hoje, afinal, estamos em pleno século XXI. Podemos dizer que esta reflexão começou com o entendimento de marcas e da publicidade mundial sobre a representação mais condizente com o seu sentimento. “Acredito que o segmento de beleza ainda enaltece exageradamente a beleza de mulheres perfeitas. Mas isso tem mudado muito com a publicidade de grandes marcas como Dove e Natura, que mostram belezas diferentes e verdadeiras, sem o photoshop que não convence mais ninguém”, comenta Taciana Antunes, supervisora de atendimento da Martpet (PE). Continuar lendo Força, beleza e poder fora da caixa
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Um nome que ficou na memória
Diz-se que “por trás de um grande homem sempre há uma grande mulher” e na história da publicidade podemos dizer que por trás de uma grande agência sempre existe um grande profissional. De fato, entre as maiores referências do mundo temos a Ogilvy & Mather, criada por um David MacKenzie Ogilvy, aclamado como “o pai da propaganda”. Na cena nacional figuram nomes como Washington Olivetto da W/Brasil e Nizan Guanaes, sócio e co-fundador do Grupo ABC. Em nossa história, um personagem também se destacou pela beleza e originalidade de suas campanhas, e pioneirismo no mercado da propaganda no Nordeste: Carol Fernandes. “Ele era um estrategista e criativo, foi um dos maiores jinglistas da publicidade que Pernambuco já teve e que marcou época com sua Itaity”, lembra Alfrizio Melo da Ítalo Bianchi Comunicação. Continuar lendo Um nome que ficou na memória
Superando estereótipos
Erasmo Carlos já declamava em “Mulher (sexo Frágil)” o papel delas como musas inspiradoras, assim como para muitos bardos na história da humanidade. Essa inspiração feminina sempre teve muito impacto na publicidade, especialmente nos anos 1940 quando se tornaram imagem cada vez mais contínua. A presença do público feminino, contudo, sempre se manteve atrelada ao papel de mães e esposas para muitas marcas na propaganda. A Singer provava, em 1952, que mulheres prendadas tinham como ‘requisito básico’ a habilidade de costurar em casa e, para isso, sua máquina de costura era a mais adequada, com o apelo “Vale a pena insistir para ganhar a legítima”. A Epel reforçava a qualidade dos seus eletrodomésticos com o slogan “Assim, a vida é melhor. Aparelhos elétricos de real utilidade para conforto das donas de casa”, em 1947. Mas, as referências não param por aí, pois o guia da “mulher do lar” era reforçado para as novas gerações já na infância, com anúncios publicitários que vendiam até uma enceradeira, como o Champion Mirim. Criado em 1954, anunciava o lançamento do produto para tornar a brincadeira mais real para as meninas que poderiam aprender a “tornar a tarefa do lar mais agradável”. Continuar lendo Superando estereótipos
Apelo afetivo, receita de sucesso

Dentro da perspectiva mercadológica, o objetivo fundamental de uma marca talvez seja se tornar eterna ou inesquecível. E o mais incrível é quando ela consegue sobreviver por séculos a fio, mesmo que tenham que passar por reformulações em suas estratégias de marketing, com o passar do tempo, seja em seu visual ou até mesmo em sua receita inicial. Muitas são foco dessas diversas transformações ao longo de décadas, e na maioria das vezes desconhecemos alguns detalhes curiosos que marcam a força de sua resistência, inclusive na comunicação para se tornar lembrada.
A tônica feliz de uma época
Política, humor, romantismo e transformações sociais e políticas foram tônicas da década 90 que antecedeu a Era da Inovação. Mas, esse momento traz uma série de propostas diferenciadas na comunicação que trouxe romantismo, lirismo e muito bom humor. Afinal, ser feliz era uma tônica recorrente na comunicação da época, e colocar isso a tona era uma boa receita.
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Todas as formas de encantar na propaganda dos anos 90
Enquanto o Mamonas Assassinas colocava todos a dançar o “Vira-vira” em sua meteórica presença no mundo da música, muita coisa também balançou os anos 90. Irreverência, escândalos políticos, tragédias, luta popular e regulamentação foram algumas das marcas desta década que teve, no mesmo período, eleição e impeachment do presidente mais novo da história do país e mudanças tão dispares que concretizou uma nova era para a comunicação. O Código de Defesa do Consumidor chegou e modificou as relações entre as empresas e clientes; o mercado de propaganda foi obrigado a controlar comerciais direcionados ao público infantil em virtude do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente); e a indústria tabagista sofreu baque com as restrições publicitárias e a exigência de informes sobre o uso do cigarro.
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A necessária transição da propaganda
Na década de 60, o mundo mudava em diversos aspectos. A União Soviética mandava o primeiro homem ao espaço sideral, Yves Saint Laurent abria seu próprio portfólio e o presidente John Kennedy era assassinado, contudo, muita coisa também acontecia no “país do futebol”, que conquistara em 1962, pela segunda vez a Taça Jules Rimet, na final da 7ª Copa do Mundo. Nesta época, o Brasil foi marcado por diversas rupturas no processo político, na moda e na música com o nascimento da Bossa Nova, o avanço da Jovem Guarda e a chegada do Tropicalismo, por exemplo. Mas, antes de tudo, mudamos enquanto sociedade de consumo diante de uma conjuntura conturbada e que pouco conhecia sobre gasto em larga escala e opções em ponto de venda. E é neste cenário que conhecemos a nova indústria da publicidade, que passa a ter um papel indispensável trazendo tempos que não voltariam mais, com as imagens atraentes da mídia televisiva, que trouxeram comerciais que impactaram uma geração.
Outros Críticos é a reinvenção e do mercado
A nova comunicação é definitivamente adaptável, e os meios não são mais tão tradicionais. E este é o caso de Outros Críticos, publicação pernambucana que surgiu como um blog de música e transcendeu para um perfil diferente do original. Hoje, a revista apresenta uma nova linha e proposta que amplia as suas possibilidades de discussão com editoriais, artigos e reflexões sobre temas profundos que se comunicam com a cultural, comportamento e a música de uma forma geral. “O Outros Críticos surgiu como um blog de música, predominantemente com entrevistas que fazíamos assinando com diversos heterônimos (personagens), como Júlio Rennó, Amélie Marie, Alberto Infante etc. Todos esses personagens, esses outros críticos, escreviam no blog em diálogo com artistas, músicos, jornalistas. Naturalmente, com o tempo, sentimos necessidade de ir para outros formatos. Com isso, desenvolvemos publicações sobre música e crítica cultural, debates, festivais, coletâneas”, lembra Carlos Gomes, seu editor.
Plantando seu pé de manga
Publicitário, designer e gráfico é assim que se define Alfredo Galamba idealizador e comandante da ExpoLAB – Escola de Economia Criativa, em pleno Polo Digital, no Bairro do Recife, em Pernambuco. Com duas décadas de atuação na comunicação, este especialista aproveitou o seu know-how em tantas áreas para enveredar das salas de criação e produção para outro importante lado do mercado, que é a formação profissional. Tudo pelo sonho de empreender e capitanear o seu próprio barco, seguindo seus próprios princípios de desenvolvimento nos setores que domina e que acredita necessitarem de novos olhares. “Não é fácil empreender por que você começa do zero. Eu costumo fazer uma analogia com um pé de manga. Você tem que plantar e escolher a melhor semente, ou seja, o melhor produto. Ainda tem que perceber o melhor local em que você vai se instalar, fisicamente, e o húmus. Você tem que aguar constantemente e avaliar as ameaças externas, as ervas daninhas, que são as concorrências. E esperar para ter a melhor manga, o que só acontece com dois ou três anos. E hoje eu já estou colhendo os frutos”, diz orgulhoso pelo trabalho que vem desenvolvendo em gestão de cursos há dois anos com a sua Expolab.
A história que fica marcada na memória
Não há nada mais certo do que a ideia de que “são nas lembranças do passado e dos momentos vividos que conseguimos enxergar todo o nosso crescimento”, especialmente quando tratamos da propaganda. Ao longo das últimas seis décadas, o mercado evoluiu e a publicidade seguiu o mesmo caminho, mas muito do que vimos no passado continua no nosso imaginário. Isto porque, antes do surgimento do storytelling propriamente dito, muitas campanhas e comerciais criados criaram esta capacidade de dialogar diretamente com o público, de emocionar e encantar. E desta forma, ficaram no eternamento no nosso consciente. Afinal, qual adolescente não se identificou imediatamente com o “Meu Primeiro Soutien” criado pela WBrasil para a Valisere por Washington Olivetto, em 1987, que marcou toda uma geração de garotas, e é reconhecido inclusive até por aquelas que nasceram depois dos anos 80. Continuar lendo A história que fica marcada na memória